Com o crescimento da cidade, vemos a transformação dos hábitos e costumes de uma comunidade. Em meio a polêmicas e controvérsias, resta apenas uma solução: o diálogo!
Tamancos encostados na parede

A motivação número um dos visitantes de Holambra é, definitivamente, as nossas flores. A Expoflora projetou o nome de nossa cidade para os quatro cantos do país e nos transformou na Cidade das Flores. Entretanto, todos nós, moradores, sabemos que o motivo de termos recebido este título é porque somos responsáveis pela comercialização de cerca de 45% de todas as flores e plantas ornamentais vendidas no Brasil, e que elas não estão, necessariamente, enfeitando nossas ruas, praças e jardins.

Pátio do Veiling cheio de flores que irão abastecer o mercado nacional.

Mesmo assim, os turistas se encantam. E então, você poderia se perguntar: por quê? Ao que eu te respondo: porque nós temos algo a mais. Algo que não é tangível ou mensurável, mas que está em toda parte.

Quando o visitante chega em Holambra, ele percebe que a cidade é diferente. Primeiro, claro, se assusta com as cerquinhas baixas das casas, enfeitadas por belos jardins. Pouco a pouco, ele começa a notar algumas outras coisas: pessoas parando para o pedestre atravessar a rua, bicicletas circulando tranquilamente por aí, pessoas andando despreocupadas à noite.

Senhora andando tranquilamente de bicicleta pelas ruas de Holambra. (Foto: Matheus Lustosa)

Estas, entre tantas outras coisas, têm muito a ver com a maneira que Holambra nasceu, 73 anos atrás. Para vir para cá, os holandeses tinham que fazer parte da Cooperativa. Não era uma opção, mas uma necessidade. Uma vez em terras brasileiras, tudo era organizado por ela. E não só a parte econômica! A CAPH cuidava da educação dos pequenos, da saúde de todos, da religião, esporte, lazer… E mesmo naquilo que a cooperativa não estava diretamente relacionada, o espírito colaborativo perseverava.

Máquina trabalhando na construção da Mini-Praia (hoje, Lago do Holandês). (Foto: Museu de Holambra)

Para dar um exemplo bem simples de como as coisas funcionavam aqui, você sabe como aconteciam as festas, por volta dos anos 1970? Primeiro checavam, entre os moradores, quem tinha uma granja vazia. Com o local escolhido, alguns cuidavam dos comes e bebes, outros da decoração feitas com bambu. Um terceiro trazia seus discos e se transformava no DJ da turma! E assim todos se divertiam.

As coisas só aconteciam porque as pessoas desejavam, planejavam e faziam acontecer. Nada veio do acaso. O Moinho Povos Unidos prospera porque há um grupo de voluntários que cuida muito bem dele, apenas pelo prazer de fazer parte de um legado. Assim, quantos outros grupos e associações eu poderia citar, que também fazem a diferença para esta cidade?

Voluntários fazendo a manutenção do Moinho Povos Unidos. (Foto: arquivo pessoal)

Desde então, Holambra vêm crescendo e os holandeses se tornaram minoria. Mas a alma, o espírito da cidade, plantado anos atrás, continua gerando seus frutos, até mesmo entre os brasileiros. E não é de se espantar que todos se apaixonem pela cidade e queiram se mudar para cá, não é mesmo?

Holambra é mesmo uma cidade apaixonante, não é mesmo? (Foto: Matheus Lustosa)

Fico imensamente feliz quando vejo pessoas que escolheram viver aqui e que se integraram com a comunidade e nosso jeito de ser. Eles curtem correr na lama e ver tratores envenenados puxando toneladas de carga! Dependendo do nível de envolvimento, comem até pão com chocolate granulado – e adoram! Ao mesmo tempo, aprendemos muito com eles! Gente nova traz ideias, questiona hábitos, faz a gente se mexer, melhorar. Uma troca muito saudável, por sinal.

Adoro quando as pessoas experimentam um pouco das nossas tradições! Você já provou pão com chocolate granulado? (Foto: arquivo pessoal)

A harmonia entre o antigo e o novo, a tradição e a inovação, tudo isso começa com uma única coisa: RESPEITO. Os tempos mudam, as pessoas também. Coisas que fazíamos antigamente talvez não façam mais sentido serem feitas da mesma maneira hoje. O bom é aprender com quem já sabe fazer, preservar aquilo que é bom, e melhorar aquilo que pode ser melhorado.

Se as pessoas escolhem se mudar para cá é porque, algum dia, se apaixonaram pela nossa essência. Para que ela possa ser mantida, devemos cultivar nossas tradições, nosso jeito de ser. E quando algo não parece estar certo, sempre há espaço para o diálogo, desde que feito, acima de tudo, com respeito.

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Ivonne

Ivonne

Antes de mais nada, apaixonada por Holambra! Mas também moradora, turismóloga & empresária.

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